Existem artistas que a gente ouve para passar o tempo, e existem artistas que a gente ouve para encontrar a própria casa. A Tuyo é, sem dúvida, esse segundo caso. Depois de anos sentindo o conforto das vozes de Lio, Lay e Jean Machado através dos fones de ouvido, um acolhimento que já me salvou em tantos momentos, tive a chance de ver essa magia transbordar ao vivo no palco do Tranquilo SP, agradecimento especial toda a produção da banda pela oportunidade.
Em meio à celebração de 10 anos de uma trajetória que mistura afrofuturismo, folk-pop e uma honestidade brutal sobre o que é ser humano, o show foi mais que uma apresentação; foi uma cura coletiva. Entre o coro emocionante de ‘Solamento’ e os abraços que vi (e senti) pelo espaço, conversei com o trio sobre esse marco na carreira e a força dessa conexão que eles criaram com o público. O resultado desse encontro, você confere agora.

SPCULT: Para começar, eu gostaria de saber de vocês como foi fazer o show do Tranquilo SP hoje, nessa casa maravilhosa?
Tuyo: A gente já tinha tocado aqui antes, foi muito gostoso ter voltado. Estamos felizes, sabe? Dez anos de banda… é tão difícil para uma banda independente marcar um show. Quem conhece, sabe. A alegria de tocar é sempre a mesma, é um milagre conseguir fazer um show acontecer do início ao fim. Foi a primeira vez que testamos esse repertório, muitas músicas que não tínhamos tocado ainda. Foi uma noite singular.
SPCULT: São dez anos de história. O que cada um de vocês tira de bom desse tempo? Que conselho vocês poderiam dar tanto para os fãs quanto para quem está começando na música agora?
Lay: Eu acho que um conselho bom é: não importa como dá para fazer ou se dá para fazer, apenas faça. Se importe mais com o que você acha da sua canção e com as pessoas que ouvem de verdade, aquele contato direto do artista com o público, sem artifícios. A gente usa as ferramentas para trabalhar, mas a parte mais importante para nós é que, sem os fãs e sem as pessoas que se identificam, a gente fica muito perdido. Essa é a minha dica.
Machado: Eu acho legal sonhar e projetar as coisas, mas fui percebendo que o importante é o hoje. A gente já conquistou muitos sonhos e alcançou vários projetos, mas quando a coisa acontece, parece que o mais importante é o momento do agora. Mesmo quando você conquista algo, aquilo parece que perde o valor no “hoje”. Então, faça com o que você tem agora, com o sentimento de agora. O importante é estar bem agora. Ser feliz, né?
Lio: Eu acho que o conselho geral é: ser bom no que você faz não é a mesma coisa que ser famoso no que você faz. Dá para escolher entre um e outro. Se tiver que escolher, escolha ser bom. É mais prazeroso se sentir seguro e ser bom no seu ofício. Continue fazendo. “Ah, mas ninguém me reconhece, não sou tão popular quanto fulano”. Que fulano, irmão? Você nasceu sozinho e morre sozinho. O seu comparativo é o seu “você” de ontem. Se o “você” de hoje está pior, tem sempre o amanhã para melhorar. Diga não ao capitalismo tardio e foque em si mesmo.

SPCULT: Eu li muito sobre como vocês são um “porto seguro” para muitos fãs. A música de vocês é acolhedora, faz pensar e dançar ao mesmo tempo; é um misto de emoções. Como é ver que o som de vocês transborda tanto em outras pessoas? Como sentem esse impacto na vida de quem os ouve?
Lay: Eu me sinto menos só. Sinto que a grande luta do ser humano é contra a solidão, e contra a morte, porque a morte também significa solidão. Quando escrevemos algo no quarto, quietos, e de repente chega essa galera contando como aquela história bateu neles e como os sentimentos se parecem… eu fico muito feliz.
Machado: Eu me sinto vivo. Quando a gente escreve, estamos sentindo algo, mas isso provoca outra coisa completamente diferente em quem ouve. Não temos controle sobre como a música será interpretada, e o que vem de resposta é sempre muito carinhoso. Por mais que um evento tenha me machucado e me feito escrever aquela letra, a resposta de alguém interagindo é sempre muito boa. É o poder da música.
Lio: Se a angústia é a condição humana, o que antagoniza ela é a angústia no coletivo, porque aí ela perde seu caráter de solidão. A arte é conversa. Ouvir o outro é muito legal. Na música, às vezes parece que não tem conversa porque a gente só canta, mas temos a oportunidade rara de ter uma relação próxima com quem curte a banda. É a felicidade máxima. Mesmo quando a gente está mal, sem show marcado, todo f*dido e repensando a vida, o que segura a gente é esse milagre que a arte faz.
SPCULT: Para finalizar, quais são as próximas novidades? O que podemos esperar da agenda e qual recado final vocês deixam para os fãs que acompanham vocês aqui sejam pelo SPCULT ou Maah Music?
Lay: O primeiro recado é: compre o ingresso agora! No Instagram a gente só posta coisa boa, mas estamos convencendo as pessoas uma a uma a irem nos assistir. Por favor, seja uma dessas pessoas. Se você está lendo isso, adquira seu ingresso e nos acompanhe nessa turnê.
Lio: A próxima parada é Florianópolis, mas tem muitas cidades vindo por aí. Estamos tentando rodar o Brasil com a turnê Tuyo pelo Brasil. No nosso perfil (@oituyo) está toda a agenda, tudo bonitinho. Vamos nos ver!
Machado: Um beijo, pessoal, um abraço e vamos nessa. Ano do cavalo!
Assistir ao show é entender que, mesmo quando a vida pesa, a música pode servir de fôlego. Com um repertório que atravessa toda a carreira e reafirma sua essência intimista, o trio curitibano provou que o palco é o lugar onde a melancolia se transforma em festa e pertencimento. Logo após essa experiência transformadora, bati um papo com eles para entender como é levar esse ‘abraço em forma de canção’ para o mundo.
“Se o show foi o momento de sentir, a entrevista que você leu agora é o momento de entender a alma por trás das vozes.” Palavras da jornalista Marina.
Para acompanhar de perto os próximos passos da Tuyo, siga a banda no Instagram e confira a agenda completa de shows. Uma década de história merece ser celebrada junto com quem faz parte dessa trajetória: o público.
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/oituyo/
