SÃO PAULO

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Coletivo Ópera Urbe completa 10 anos com  espetáculo atravessado por diversidades no CCSP.


Combinando teatro, música executada ao vivo, dança e projeções visuais em uma história que acompanha uma pessoa desde o nascimento até a vida adulta, o Coletivo Ópera Urbe completa 10 anos com um novo trabalho, Cardíaco Cardinal – Um Poema Cênico, que estreia em 16 de setembro, às 19h30, no Espaço Cênico Ademar Guerra do Centro Cultural São Paulo (CCSP). Com direção de Marcos Damigo e dramaturgia, músicas e direção musical assinadas por Carlos Zimbher, a obra é construída entre memórias, descobertas, desejos, perdas e experiências com a arte, abordando temas como identidade, pertencimento e amor. A temporada é gratuita e conta com sessões de quarta a sábado, às 19h30 (sábados, sessão extra também às 17h30) e aos domingos, às 18h30, até 27 de setembro.

Foto: Bernoch

A trama é um relato ficcional construído em quadros musicais e poéticos e acompanha a trajetória de um indivíduo desde o nascimento, durante o êxodo de seus pais, passando pela infância, pela descoberta da sexualidade, pelo encontro transformador com a arte, pelas perdas que marcam a vida adulta e pelo difícil processo de amadurecimento. O espetáculo convida o público a percorrer uma paisagem afetiva onde memória, sonho, desejo e identidade se entrelaçam. 

O elenco é formado por Kaique Theodoro, Legina Leandro, Madá Rocco, Tricka Carvalho Warner Borges, com música ao vivo executada por Juma Passa, Vênus Garland e o autor Carlos Zimbher. A criação reúne artistas de diferentes gerações, trajetórias e identidades, reafirmando um dos princípios do Coletivo Ópera Urbe: a diversidade como força criativa e elemento estruturante da cena. A proposta se reflete tanto na composição do elenco e da equipe quanto na própria trajetória do coletivo, que, ao longo de dez anos, vem desenvolvendo uma pesquisa baseada na pluralidade de corpos, experiências e perspectivas.

Para a criação, Damigo ressalta que a ideia é criar uma experiência sensorial em que cenário, figurino, imagens e movimento ampliem aquilo que nasce da dramaturgia. “A encenação parte da natureza poética e subjetiva do texto e busca expandir esse universo pelo corpo, pela música e pelas visualidades. As projeções dialogam com referências da cultura brasileira dos anos 1960 e 1970, especialmente a contracultura, as artes visuais, Secos & Molhados e a poesia concreta. A ideia é brincar também com a palavra projetada, explorando como sua forma pode interferir no sentido, ao mesmo tempo em que imagens e depoimentos ajudam a construir esse universo e a criar um espelho para as experiências do público”.

A concepção visual integra cenário e figurino a partir de materiais descartados e objetos não convencionais, reconfigurados para assumir novas funções em cena. A proposta prevê que roupas, adereços e elementos cenográficos se misturem, criando uma estrutura visual em constante transformação. A cenografia é assinada por Andreas Guimarães, o figurino por Vi Silva, o desenho de luz por Matheus Brant e as projeções por Santo Bezerra

Foto: Bernoch

A música ocupa lugar central em Cardíaco Cardinal – Um Poema Cênico, com as canções acompanhando diferentes momentos da trajetória do personagem retratado na obra. Originalmente composta para o espetáculo e executada ao vivo, a trilha se integra à dramaturgia e ao trabalho dos atores, reunindo bateria, guitarra, baixo, viola caipira, teclado, elementos eletrônicos e vozes. Entre as canções estão Todos os Sexos, Faíscas Afáveis, Arrazoado, Pulsar, A Mulher dos Meus Sonhos, Recalque, Achados e Perdidos, Flanando e Desatar.

“Tenho chamado essa escrita de canção dramatúrgica. A música e o texto se misturam, vão juntos e um contamina o outro. Às vezes, a música vem primeiro e, a partir dela, nasce o texto; em outras situações, acontece o contrário. As composições atravessam temas como a descoberta dos sexos e das identidades, o encontro com a arte, o desejo, as experiências e relações, a repressão, as perdas e a tentativa de viver sem amarras”, conta Zimbher.

A passagem da rua para a sala fechada marca uma nova etapa na trajetória do Coletivo Ópera Urbe. Depois de trabalhos voltados aos conflitos sociais vividos coletivamente no espaço urbano, a nova montagem desloca a pesquisa para um território mais íntimo. No Espaço Cênico Ademar Guerra, conhecido como “Porão” do CCSP, a própria arquitetura favorece uma relação mais próxima entre cena e público, criando condições para uma experiência mais imersiva. 

SERVIÇO:

Centro Cultural São Paulo – CCSP – (Espaço cênico Ademar Guerra) (Porão)

Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso/SP.

Temporada: De 16 a 27 de setembro de 2026. De quarta a sábado, às 19h30 (Sábados sessão extra também às 17h30) e domingo, às 18h30. 
Capacidade: 100 lugares. 
Duração: 60 minutos. 
Classe indicativa: Livre. 
Ingresso: Grátis (Sujeito à lotação. Distribuição por ordem de chegada)