A montagem, dirigida por Victor Mendes, trata de temas como ancestralidade, infância, travessias, cultura popular e da chamada Encantaria Amazônida, que é uma manifestação popular fundada em saberes indígenas e afro-diaspóricos. Em cena, tocando ao vivo, há a musicista Gisah Preta, que cria sonoridades e embala a cena com a sutileza proposta pela encenação. A direção musical é assinada por Marco França. Fabrício Licursi assina a direção de movimento.
Do Ventre a Cabeça estreia no Sesc Ipiranga, no dia 23 de outubro. O espetáculo segue em cartaz por lá até 15 de novembro, com sessões às sextas-feiras, às 21h; e aos sábados, domingos e feriados às 18h30.

Em cena, Luiza reúne narrativas orais de uma mulher ribeirinha, de Cametá, cidade no interior do estado do Pará, e histórias míticas da cabocla encantada Mariana, a Padroeira da Encantaria e do Tambor de Mina.
A artista vai trançando um diálogo entre sua trajetória familiar, os saberes da Encantaria e as migrações que fazem parte de sua jornada.
A encenação
Partindo da palavra delicadeza, a encenação proposta por Victor busca bordar o palco com simplicidade e manualidade. A atriz manipula todos os elementos para transformá-los ou ressignificá-los na frente do público. Trazendo uma ideia do feito a mão, dessa sabedoria que se aprende na lida diária do ofício.
O cenário assinado por Marisa Bentivegna corrobora com essa escolha, oferecendo uma sensação de palco-rio para o público, com margens borradas, no qual a[UC2] atriz navega por ilhas cênicas enquanto conta sua história que faz parte de uma cultura tão rica quanto mítica.
A musicista Gisah Preta está em cena o tempo todo, como uma presença musical latente. Outro elemento sonoro importante é a voz de Mãe Rita D’Oxum, Yalorixá no T.E.U.C.Y. (Terreiro situado em Ananindeua (PA), que completa 80 anos em 2026) Sua voz presente na peça, simboliza todas as mulheres detentoras do saber e das tradições ribeirinhas amazônidas, e das encantarias, que ecoam em alguns momentos da peça, compondo essa rede da tradição em cena.
O vídeo também é um elemento cênico bastante explorado no espetáculo: projetado no couro de um tambor, como uma camada de memória em cena. A narrativa audiovisual saindo do tambor é mais um elemento ancestral de onde brota sabedoria e, ao mesmo tempo, constrói para a atriz parte de seu próprio mapa de aprendizados.
FICHA TÉCNICA COMPLETA:
Idealização: Luiza Braga e Coletivo Filhos de Iracema
Direção: Victor Mendes
Dramaturgia e Atuação: Luiza Braga
Direção Musical: Marco França
Direção de Movimento e Preparação Corporal: Fabrício Licursi
Direção de Fotografia: Caio Oviedo
Assistência de Direção: Giovanna Barros
Cenografia e Desenho de Luz: Marisa Bentivegna
Figurino: Vinny Araujo
Música em Cena: Gisah Preta
Consultoria em Encantaria: Mãe Rita D’Oxum, Pai Lucas Irain e Mãe Yasmin Queiroz
Curadoria de Processo: Prof.ª Dr.ª Andrea Flores
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Mídias Sociais: Ruthelly Valadares
Produção: Corpo Rastreado – Lucas Cardoso
Sinopse
Costurando saberes e o modo de vida de populações ribeirinhas da amazônia cabocla do norte do Brasil, em relação com as narrativas míticas da Cabocla Encantada Mariana,”Do Ventre à cabeça” cria conexões poéticas entre tradição, memória e saberes populares amazônidas. O espetáculo parte dos ensinamentos de uma avó ribeirinha, revisitando ancestralidades amazônidas em conexão com a Encantaria e o Tambor de Mina.
Serviço
Do Ventre a Cabeça, com Coletivo Filhos de Iracema
Apresentações: de 23 de outubro a 15 de novembro. Sextas, às 21h, sábados, domingos e feriado 2/11, às 18h30. Exceto 25 de outubro
Sesc Ipiranga – R. Bom Pastor, 822- Ipiranga, São Paulo – SP, 04203-001
Vendas online em sescsp.org.br e presenciais na bilhteria de qualquer unidade do SP
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 40 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida