Grupo promove até 1º de novembro, mesas de debates que abrem espaço de encontro, diálogo e criação em torno das diferentes experiências ameríndias e negras com os projetos Amefricanidades e o Ciclo Lélia Gonzalez.
Neste final de semana acontecem as últimas ações dos projetos Amefricanidades e Ciclo Lélia Gonzalez, promovido pelo coletivo Legítima Defesa dentro da programação da FLUP 2020 – Festa Literária das Periferias. As conversas são mediadas por integrantes do coletivo Eugênio Lima e Majoí Gongora.
Dedicado à pesquisa sobre as poéticas e políticas em torno da negritude, o coletivo promove os últimos encontros do Ciclo Lélia Gonzalez com Flávia Rios e Márcia Lima (29/10 às 19h) e Carla Akotirene e Djamila Ribeiro (31/10 às 19h).
Já no projeto Amefricanidades haverá os debates: Vidas Negras, Vidas Indígenas Importam! Quais as Estratégias Possíveis Para Não Sermos Reduzidas à Violência do Estado Genocida?, com Kari Guanabara e Elisiane dos Santos (dia 31/10 às 20h); O Papel das Mulheres Indígenas: Ancestralidade, Lideranças Femininas e Seus Legados, com Juma Xipaya e Sandra Benites (dia1º/11 às 15h); Política e Espiritualidade: As Novas Alianças na Ação Política com Cacique Dorinha Pankará e Cacique Babau (dia1º/11 às 16h40) e encerrando a programação Arte Indígena Contemporânea: Recuos na Ancestralidade e Flechas Para o Futuro com Renata Tupinambá e Edivan Fulni-ô (dia1º às 18h40). O projeto Amefricanidades é realizado pelo Coletivo Legítima Defesa e apoiado pelo Instituto Ibirapitanga.
Cunhado pela intelectual negra brasileira Lélia González, o termo “Amefricanidade” refere-se às sabedorias e às experiências negras e ameríndias no continente americano e cria possibilidades para o encontro e reflexão sobre essas diferentes experiências: um espaço para outros olhares possíveis sobre a sociedade brasileira.

Tendo essa categoria como um ponto de partida, a programação tem a proposta de criar aberturas para novos imaginários, seja no campo das artes, seja na relação com as próprias trajetórias históricas dos integrantes do coletivo. “Entendemos que a construção de novos mundos é urgente, assim como o estreitamento de laços entre coletivos cujas lutas por direito não têm convergido tanto como poderiam”, comenta o ator, diretor e DJ Eugênio Lima.
A principal atração dentro da programação da FLUP digital, o Ciclo Lélia Gonzalez: Uma Intelectual Amefricana traz a curadoria de Eugênio Lima. De acordo com Eugênio Lima, todo o ciclo está pautado pelo conceito de “Cartografia” e pela compreensão da obra de Lélia Gonzalez sob o ponto de vista da desterritorialização e da construção da narrativa da gente negra brasileira atual.
Como toda visão cartográfica, ela não pretende ser um caminho único e linear para o material: ela se localiza na imensidão da Diáspora Negra, com seus fluxos, contrafluxos, suas derivas e, sobretudo, seus encontros, nos diversos desdobramentos possíveis que a própria matéria do tempo exerceu sobre o pensamento de Lélia.
A proposta do ciclo é ter a obra da Lélia como um disparador para debater de maneira livre os diversos assuntos que unem o tempo passado com o tempo presente. “Todo o projeto foi organizado como uma frente re-existência, na contramão da história oficial, na tentativa de criar um portal para uma outra história possível, que se utiliza inclusive das impossibilidades para criar a narrativa de um povo negro”, comenta Eugênio Lima. Além dos diálogos, cada painel tem uma breve videoperformance criada pelos integrantes do coletivo Legítima Defesa a partir do tema proposto para o dia.
Serviço:
CICLO LÉLIA GONZALEZ – UMA INTELECTUAL AMEFRICANA
Curadoria de Eugênio Lima
29 de outubro às 19h
Lélia Gonzalez: vida, trajetória e obra
Flávia Rios e Márcia Lima
Mediação de Alex Ratts
Lançamento do livro Por um feminismo afrolatinoamericano
Vídeo de Legítima Defesa
31 de outubro às 19h
Feminismo Negro: Lélia Gonzalez e o pensamento do feminismo negro
Carla Akotirene e Djamila Ribeiro
Mediação de Flávia Oliveira
Vídeo de Legítima Defesa
DIÁLOGOS AMEFRICANOS
Curadoria de Eugênio Lima e Majoí Gongora
31 de outubro, às 20h
Vidas negras, vidas indígenas importam! Quais as estratégias possíveis para não sermos reduzidas à violência do estado genocida?
Kari Guanabara (indígena do povo Guajajara da Terra Indígena Araribóia; advogada da Rede de Advogados Indígenas do Brasil; mestre em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília).
Elisiane dos Santos (Procuradora do Ministério Público do Trabalho de São Paulo/MPT/SP e integrante do Coletivo Transforma MP)
Mediação: Eugenio Lima.
1º de novembro, às 15h
O papel das mulheres indígenas: ancestralidade, lideranças femininas e seus legados
Juma Xipaya (liderança do povo Xipaya/PA)
Sandra Benites (educadora guarani, antropóloga e curadora do MASP)
Mediação de Majoí Gongora
1º de novembro, às 16h40
Política e espiritualidade: novas alianças na ação política
Cacique Dorinha Pankará (liderança do povo Pankará /PE)
Cacique Babau (cacique dos Tupinambá de Olivença/BA)
Mediação de Eugenio Lima
1º de novembro, às 18h20
Arte Indígena Contemporânea: recuos na ancestralidade e flechas para o futuro
Renata Tupinambá (artista, jornalista e fundadora da Rádio Yandê)
Edivan Fulni-ô (Músico, cantor, compositor e produtor)
Mediação de Majoí Gongora
Grátis
Transmissão: https://www.facebook.com/FlupRJ e https://www.youtube.com/FlupRJ
Ficha Técnica:
Concepção: Eugênio Lima e Julio Ludemir. Direção Geral: Julio Ludemir. Curadoria Ciclo Lelia Gonzalez: Eugênio Lima. Curadoria Diálogos Amefricanos: Eugênio Lima e Majoí Gongora. Realização: O Instituto e Legítima Defesa. Direção de Produção (Legítima Defesa): Iramaia Gongora. Apresentação: Daniele Bernardino. Direção executiva: Renata Leite. Social media: Mariana Rocha. Assistência financeira: Patrícia Basílio. Realização Institucional: Ilana Strozenberg e Teresa Guilhon Barros. Direção de Produção: Juliana Stuart. Relacionamento institucional e captação: Joanna Savaglia. Identidade visual e design gráfico: Marcio Oliveira – Graphix. Vídeo e transmissão: 14 Agência de Conteúdo Estratégico. Produção de Comunicação e Assistência: Patricia Hanna. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.