A tragédia Édipo Rei, de Sófocles, escrita em 427 a. C. é um clássico há 2500 anos e ganha ares contemporâneos com a escrita do dramaturgo inglês Robert Icke (1986-) em Édipo, que está no auditório do MASP A montagem conta com direção de Clara Carvalho, idealização da pesquisadora Rosalie Rahal Haddad, realização do Círculo de Atores e produção da SM Arte Cultura.
A temporada tem sessões sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h, até 6 de setembro. O elenco é formado por Sergio Mastropasqua, Clarisse Abujamra, Oswaldo Mendes, Chris Couto, João Bourbonnais, Thalles Cabral, Thaina Muniz, Márcia Teodoro, Marisa Mainarte, Rodrigo Scarpelli, Thomas Huszar e Roberto Borenstein.

A trama é um thriller político contemporâneo ambientado no escritório de campanha de Édipo, um candidato prestes a vencer uma eleição majoritária. Conservando as unidades clássicas de tempo, espaço e ação, a peça traz, além do suspense e de um painel intrincado de relações familiares, uma profunda sondagem existencial e um mergulho no inconsciente. Assistimos à crise vertiginosa de um político que, sem saber, transgrediu leis civilizatórias e que, por excesso de autoconfiança e orgulho, engendra a própria ruína.
“Não é que Édipo Rei precise ser atualizado. É uma tragédia tão perfeita e tão interessante que, 2.500 anos depois, continua impecável em sua dimensão universal. O que Robert Icke faz é um exercício muito interessante de releitura, usando todas as linhas mestras da peça. Na montagem, Édipo é o candidato que vai ganhar a eleição. Todas as pesquisas mostram que ele está praticamente eleito. Todavia, um personagem chega para dizer que tudo aquilo que ele acredita sobre si mesmo pode não ser verdade. Existe essa relação entre poder, sucessão e a construção de narrativas”, enfatiza Clara Carvalho.

A encenação aposta em uma estética contemporânea em todos os recursos cênicos: a trilha sonora de Gregory Slivar, o figurino de Marichilene Artisevskis e o cenário de Chris Aizner, que criam um ambiente híbrido entre o universo eleitoral e a dimensão trágica da obra. A inspiração vem do brutalismo de Lina Bo Bardi e do espaço simbólico do vão livre do Masp, ponto tradicional de manifestações políticas na capital paulista.
SERVIÇO:
Local: Auditório do Masp
Temporada: 04 de julho a 06 de setembro. Sextas e sábados às 20h, domingos às 18h.
Classificação: 16 anos.
Duração: 110 minutos.
Capacidade: 344 lugares.
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/121617