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Depois do sucesso Rei Lear, Cia. Extemporânea estreia sua versão drag de Macbeth no Sesc Pompeia no dia 22 de outubro.


Uma das mais famosas tragédias de William Shakespeare (1564-1616), Macbeth, acaba de ganhar sua versão em linguagem drag queen pela Cia. Extemporânea.  O espetáculo, dirigido por Ines Bushatsky e com texto de  João Mostazo, estreou no Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas (com todos os ingressos esgotados) e agora ganha sua primeira temporada no Sesc Pompeia, de 22 de outubro a 15 de novembro, com sessões às quintas-feiras e aos sábados, às 20h, às sextas, às 16h e às 20h, e aos domingos às 18h.

A montagem é o segundo trabalho do projeto Shakespeare in Drag, inaugurado pelo sucesso Rei Lear, que foi vista por mais de 10 mil pessoas em diversas cidades brasileiras e rendeu a Alexia Twister o prêmio Shell 2025 de Melhor Ator. Além da Alexia, estão em cena as drags Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha, todas integrantes do elenco da primeira peça.

“Já era um sonho antigo fazer Shakespeare com um elenco formado inteiramente por drag queens. Tive a ideia em 2017, durante os ensaios da peça A demência dos touros, que contava com a drag Lilith Prexeva no elenco e tinha cenas inspiradas em Hamlet. Ali, há quase dez anos, já estávamos explorando muito do que iríamos concretizar futuramente, um espaço de cena onde a drag estabelece diferentes tipos de ambiguidade, entre as performances de gênero, entre o ser ou não ser, e o ser e não ser”, comenta a diretora Ines Bushatsky.

Foto por Gabriel Marques

Na trama, ao voltar da guerra, o general Macbeth se depara com três bruxas num descampado, que profetizam o seu futuro como rei da Escócia. Motivados pela previsão, ele e sua esposa, Lady Macbeth, tramam o assassinato do atual rei Duncan e a usurpação de sua coroa. 

O crime, no entanto, leva o casal a ser consumido pela culpa, precipitando o reino em uma espiral de terror e despotismo. Tomado pela angústia e paranóia, à medida que vê sua coroa ameaçada, Macbeth se converte em um tirano.

Sobre o clássico shakespeariano, João Mostazo, que assina a adaptação do texto, aponta: “Apesar da trama relativamente simples, Macbeth é uma peça de extraordinária complexidade. Quase tudo do que as personagens dizem pressupõe uma segunda camada de sentido, e há um ensurdecedor não-dito pulsando por baixo de toda a ação. Ao contrário de Rei Lear – que, à maneira de um teatro do mundo, contém todas as paixões humanas – o conjunto de sentimentos que a trama percorre é restrito, e gira em torno de um mesmo eixo emocional: medo, paranoia, traição, desconfiança, ambição. Cada uma dessas emoções, no entanto, é investigada com insuperável profundidade”.

Bushatsky conta que nas duas montagens do projeto Shakespeare in Drag, os papéis de gênero são suspensos e colocados de forma menos estática e definitiva. “A drag em relação ao personagem shakespeariano faz ainda mais uma torção, repensando figuras tradicionais a partir de escolhas políticas e estéticas trazidas pelo universo LGBTQIAPN+. Além disso, na adaptação importa menos a fidelidade literal e mais o efeito que o texto causa. Qual efeito Shakespeare conseguia quando seus personagens diziam uma gíria da época? Para isso, Mostazo insere referências a versos e expressões da cultura e da literatura brasileira, trazendo assim para perto do público inspirações poéticas já conhecidas”, ilustra.

Foto por Gabriel Marques

Ficha Técnica

Direção e idealização: Ines Bushatsky

Texto e codireção: João Mostazo

Elenco: Alexia Twister, Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores, Xaniqua Laquisha

Figurino e visagismo: Salomé Abdala

Cenário: Fernando Passetti

Iluminação: Nicolas Marchi

Trilha sonora e desenho de som: Gabriel Edé

Adereços e bonecos: Matias Ivan Arce

Perucas: André Góes

Contrarregragem e cenotécnica: Cauê Gouveia, Diego França, Matias Ivan Arce

Microfonista: Viviane Barbosa

Operação de som: Gabriel Edé

Colaboração de trilha sonora: Ines Bushatsky, João Mostazo, Xaniqua Laquisha

Assistência de iluminação e operação de luz: Karen Mezza

Assistência de adereços: Josefina Siro, Paulina Olgin

Assistência de figurino: Sissa Eisele, Giulianna Menegasso

Costura e modelagem: Salomé Abdala, Gilda Peixoto

Calçados: Porto Free Calçados, Au Botieur

Luvas: ControllU Atelier

Impressão de objetos: Rico3D

Apoio de maquiagem: Catharine Hill

Fotos: Gabriel Marques, Tetembua Dandara

Arte gráfica: Lidia Ganhito

Redes sociais: Mariana Marinho

Direção de produção: Tetembua Dandara

Produção executiva: Iolanda Sinatra

Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Criação: Cia. Extemporânea

Direção geral: Ines Bushatsky e João Mostazo

Sinopse

Ao voltar da guerra, o general Macbeth se depara com três bruxas num descampado, que profetizam o seu futuro como rei da Escócia. Motivados pela previsão, ele e sua esposa, Lady Macbeth, tramam o assassinato do rei Duncan e a usurpação da coroa. O crime, no entanto, leva o casal a ser consumido pela culpa, precipitando o reino em uma espiral de terror e despotismo. Tomado pela angústia e paranóia, à medida que vê sua coroa ameaçada, Macbeth se converte em um tirano.

Serviço

Macbeth, com Cia. Extemporânea

Temporada: 22 de outubro a 15 de novembro de 2025*

Às quintas-feiras e aos sábados, às 20h; às sextas, às 16h e às 20h; e aos domingos, às 18h

*Não haverá sessão no dia 25 de outubro

**Haverá sessão extra no dia 11 de novembro, às 20h

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo

Venda online em sescsp.org.br ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo

Classificação: 14 anos

Duração: 105 minutos

Capacidade: 300 lugares

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Interpretação em libras nos dias 23/10, 30/10, 6/11 e 13/11 (sextas, às 20h).