SÃO PAULO

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Musical resgata a trajetória de Benjamim de Oliveira em nova temporada na Cia. da Revista.


Poucos artistas exerceram tanta influência sobre a cultura brasileira e, ao mesmo tempo, foram tão esquecidos pela história quanto Benjamim de Oliveira. Primeiro palhaço negro do Brasil e um dos principais responsáveis pela consolidação do circo-teatro nacional, o artista volta ao centro da cena a partir de 18 de agosto, quando “Benjamim – O Palhaço Negro” estreia nova temporada no Espaço Cia. da Revista, em São Paulo. Em curta temporada, com sessões às terças-feiras e ingressos à venda pela Sympla, o musical propõe mais do que revisitar sua biografia: convida o público a redescobrir um homem que rompeu barreiras raciais, reinventou o fazer artístico e ajudou a moldar a identidade do teatro brasileiro.

A história do espetáculo também começa de forma pouco convencional. No fim de 2018, ainda estudante do ensino médio, Isaac Belfort recebeu a sugestão de pesquisar Benjamim de Oliveira para um trabalho escolar. O que parecia um exercício acadêmico rapidamente se transformou em uma pesquisa que atravessaria anos e mudaria os rumos de sua trajetória artística. À medida que avançava nos estudos, Belfort percebeu que aquele personagem extrapolava qualquer formato tradicional e que sua história precisava ganhar os palcos em forma de musical.

“Quanto mais eu estudava, mais entendia a dimensão de Benjamim e o quanto ele havia sido apagado da nossa memória. Contar essa história deixou de ser apenas uma ideia de espetáculo e passou a ser um compromisso artístico”, afirma Belfort, que idealizou a montagem, assina a direção de produção da obra e também integra o elenco.

A pesquisa iniciada há sete anos, no entanto, nunca foi encerrada. Diferentemente de uma obra concluída, “Benjamim – O Palhaço Negro” continua sendo reconstruído a cada temporada. Novos estudos, descobertas históricas e experiências do elenco passam a integrar a encenação, fazendo com que o espetáculo permaneça vivo e em constante transformação.

Essa evolução também reflete o próprio processo criativo da montagem. Embora tenha partido de uma ideia de Isaac Belfort, o espetáculo foi sendo construído coletivamente ao lado do diretor e dramaturgo Tauã Delmiro, da diretora artística Manu Hashimoto e dos artistas envolvidos no processo criativo. Improvisações, pesquisas e vivências pessoais passaram a moldar a dramaturgia, aproximando a trajetória de Benjamim das experiências de jovens artistas negros da atualidade. “Em determinado momento, o espetáculo deixou de ser só meu. Ele passou a ser de todos que decidiram contar essa história comigo”, resume o idealizador.

Essa proposta distancia a montagem de uma biografia convencional. Em vez de apenas reconstituir fatos históricos, o musical estabelece um diálogo entre passado e presente, mostrando como muitas das barreiras enfrentadas por Benjamim continuam ecoando nas trajetórias de artistas negros contemporâneos. O resultado é um espetáculo que alterna humor, emoção e crítica social sem perder de vista a potência criativa daquele que transformou as vaias em aplausos e abriu caminhos para gerações inteiras de artistas brasileiros.

Desde a estreia, em 2022, no Teatro Cesgranrio, no Rio de Janeiro, “Benjamim – O Palhaço Negro” percorreu teatros, festivais e cidades brasileiras, incluindo apresentações em Pará de Minas (MG), cidade natal do homenageado. Em 2025, recebeu duas indicações ao Prêmio Destaque Imprensa Digital (DID), nas categorias Destaque Letra Original e Musical Destaque – Voto Popular, consolidando-se entre as produções autorais de maior destaque da nova geração do teatro musical brasileiro. 

A temporada paulistana marca mais uma etapa desse processo contínuo de criação. Entre as novidades estão a evolução da encenação e os novos figurinos assinados por Ellias Kalleb, desenvolvidos especialmente para esta fase da montagem. A equipe criativa reúne ainda direção musical de Thalyson Rodrigues, supervisão musical e co-arranjos vocais de Edyelle Brandão, vencedora do Latin Grammy, trilha original de James Lau, direção de movimento de Marcelo Vittória, cenografia de Alex Carvalho e Jovanna Souza, desenho de luz de JP Meirelles e desenho de som de Breno Lobo e Gabriel D’Ângelo.  

Essa construção coletiva também se revela em cena. Formado por Sara Chaves, Isaac Belfort, Lakís Farias, Douglas Motta e João Cortins, o elenco dá vida não apenas aos personagens que atravessam a trajetória de Benjamim de Oliveira, mas também às reflexões propostas pela montagem. Nesta temporada, o espetáculo conta ainda com a participação especial da atriz Mafê Alcântara, que se junta ao elenco em mais um capítulo dessa construção coletiva. Em constante diálogo entre biografia, memória e contemporaneidade, o espetáculo reafirma sua proposta de uma obra construída coletivamente, em que as experiências de cada intérprete seguem incorporadas à narrativa a cada nova temporada. 

Para Belfort, porém, o verdadeiro sentido do espetáculo permanece o mesmo desde o início da pesquisa. “Um legado só desaparece quando deixa de ser contado.” É essa convicção que move “Benjamim – O Palhaço Negro”: devolver ao palco a trajetória de um dos artistas mais importantes da história do teatro brasileiro e garantir que sua memória continue ocupando o lugar que sempre lhe pertenceu.

SERVIÇO:

Local: Espaço Cia da Revista

Alameda Nothmann, 1135 – Campos Elíseos, São Paulo – SP, 01216-001

Temporada: de 18 de agosto a 15 de setembro  – Terças às 20h30

Vendas: Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/benjamim-o-palhaco-negro/3471510?share_id=copiarlink)

Duração: 1h30 – sem intervalo

Classificação Indicativa: 10 anos

Redes Sociais:

@musicalbenjamim (espetáculo) | @belfortprodutora (produtora)