Depois de apresentar uma das estreias mais singulares da cena independente brasileira com o álbum “8Hits!” (2022), Raquel Dimantas inicia um novo capítulo de sua trajetória com o single de “Meu Bebê”, primeiro música do seu segundo disco, que chega via Coala Records ainda este ano.
A escolha de “Meu Bebê” como primeiro contato com o novo projeto de Raquel não aconteceu por acaso. Entre as diferentes camadas do novo trabalho, a música representa seu núcleo emocional. A artista complementa: “Essa música nasce daquele momento em que você cantarola algo sem sentido, mas com o maior sentido do mundo. É alegre e espontânea. Acho que ajuda a entender bem a elaboração do disco”.

Com ecos da Jovem Guarda e da tradição das grandes canções românticas brasileiras, a faixa encontra inspiração em um amor específico, mas se expande para além dele. O filho que motivou a composição se torna ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre afeto, pertencimento e cuidado. É uma celebração da vida em sua dimensão mais cotidiana, lugar onde o amor nasce e se fixa.
“Esse acontecimento me mobilizou muito e me fez sentir viva e parte do mundo. As músicas vieram dessa explosão de amor e são um registro desse momento. A vida te obriga a encontrar um norte, o senso de pertencimento amplia e você começa a buscar aquilo que faz você feliz e que faz o outro feliz também”, reflete a artista.
Produzida por Raquel Dimantas em parceria com o músico e produtor Guilherme Lírio — também responsável por baixo, guitarras, pocket piano, maestro RK-2 drum machine e coros —, a faixa carrega a mesma atmosfera intimista que atravessa o novo álbum. Grande parte das gravações aconteceu de forma caseira, incorporando inclusive sons que surgiam naturalmente naquele ambiente. Entre eles está o choro do próprio bebê, utilizado como elemento da construção sonora. Além de Guilherme, Jonas Sá (microKorg vocoder) e Marcelo Callado (pandeirola) compõem a ficha técnica da canção.
“O disco começa com o amanhecer e termina com um boa noite, até amanhã. É um dia em que cabem todos os dias. Com seus acontecimentos ordinários: um carrinho que balança nos buracos da cidade, o embalo de quem carrega um bebê no colo, sob chuva ou sob o sol. É o mistério de conhecer alguém e de tentar mostrar o mundo pra ele. o mundo mundano. e como eu me vejo nesse mundo sem deixar de ser eu mesma. É um disco leve, positivo, amoroso e universal”, explica a carioca.
Raquel Dimantas se consolidou como uma das figuras mais inventivas da cena independente carioca. Instrumentista requisitada, já colaborou com artistas como Marcelo Callado, Thiago Nassif, Ana Frango Elétrico, Jonas Sá, Jorge Mautner e Zé Ibarra. Agora, após o hiato, retorna com um disco que transforma uma experiência profundamente pessoal em algo compartilhável.
O lançamento chega como um registro sobre pertencimento, afeto e descoberta. Um trabalho que encontra beleza nas coisas ordinárias e que relembra a verdade de que todos nós viemos de alguém e todos nós precisamos de amor.